Nuit Blanche from Spy Films on Vimeo.
A realidade e a fantasia no instante em que nos vemos pelo olhar do outro é o tema desse belíssimo filme de Arev Manoukian. Se quiser veja o making of aqui.DIÁLOGO de DAVID BOHM
Conversas abertas sobre Comunicação e Redes de Convivência.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Diálogos internos.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Diálogos do milênio: a aprendizagem em rede.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Diálogos possíveis.
Um político estadunidense (Jack Edwards, interpretado por Sam Waterston) vai à França visitar um velho amigo poeta (Thomas Harriman, interpretado por John Heard). Lá, conhecem uma cientista (Sonia Hoffman, interpretada por Liv Ullman) e, juntos, tecem uma profunda discussão sobre questões existenciais. Filme baseado na obra "The Turning Point" (O ponto de Mutação), de Fritjof Capra.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Busca de identidades, respeito pelas diferenças.
O pensamento pode ser proprioceptivo?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Diálogo de Paulo Freire
A consciência participativa.
O impulso da necessidade
A participação coletiva.
O envolvimento no diálogo

Espaços vazios
Quem é eu ?
(...) O autoconhecimento do homem é precário. O elo entre o pensar e o agir esconde uma realidade objetiva complexa a que não temos acesso introspectivo: nossa vida consciente e nossas ações no mundo são a culminância de uma vasta e intrincada atividade neural que se desenrola abaixo de nosso nível de perceptividade...
(...) O cérebro humano é um órgão que responde sozinho por todas a nossas ações; por todas as nossas crenças e sentimentos mais íntimos; por tudo que acreditamos. (...) Embora tenhamos uma sensação de controle sobre o nosso pensamento e nossas ações, essa sensação não passa, também ela, de um subproduto de nosso cérebro (...)
A idéia é tremenda, mas basta um silogismo para resumi-la. As leis e regularidades que regem o mundo são independentes da minha vontade (premissa maior); a minha vontade é fruto das mesmas leis e regularidades que regem o mundo (premissa menor); logo, a minha vontade é independente da minha vontade (conclusão). Se as premissas são verdadeiras, então a conclusão é incoercível
domingo, 28 de novembro de 2010
Sobre o Diálogo
“Diálogo” deriva da palavra grega dialogos. Logos é o “significado da palavra”, ou em nosso caso pensaríamos em “sentido da palavra”. E dia significa “através” — não significa dois. Um diálogo pode se dar entre qualquer número de pessoas, não só entre duas pessoas. Até mesmo uma pessoa pode ter uma impressão de diálogo consigo mesma, se o espírito do diálogo estiver presente. Um quadro ou imagem que esta derivação sugere é de uma sucessão de sentidos fluindo entre e através de vários de nós ou entre dois de nós. Isto torna possível um fluir de sentidos num grupo inteiro, do qual irá emergir algum sentido novo. É algo novo, que pode não ter ocorrido no ponto inicial, em absoluto. É algo criativo. E este sentido compartilhado é o “adesivo” ou “cimento” que mantém as pessoas e sociedades juntas.
Contraste-o com a palavra “discussão”, que tem a mesma raiz que “percussão” ou “concussão”. Realmente significa fracionar as coisas. Enfatiza a idéia de análise, onde deve haver muitos pontos de vista, e onde cada um está apresentando um diferente, analisando e fragmentando. Isto obviamente tem seu valor; mas é limitado e não nos levará muito além de nossos vários pontos de vista. A discussão é quase como um jogo de pingue-pongue, onde as pessoas estão rebatendo idéias de um para o outro e o objetivo do jogo é ganhar ou obter pontos para si próprio. Possivelmente você irá resgatar as idéias de alguém para dar suporte às suas — você pode concordar com alguma e discordar de outras — mas o ponto básico é ganhar o jogo. Este é, frequentemente, o caso em uma discussão.
Num diálogo, entretanto, ninguém está tentando ganhar. Cada um vence se qualquer um vencer. Há um tipo diferente de espírito para ele. Num diálogo, não há tentativa de ganhar pontos ou de fazer sua visão específica prevalecer. Ao contrário, sempre que qualquer erro é descoberto da parte de qualquer um, todos ganham. É uma situação denominada ganha-ganha, enquanto o outro jogo é ganha-perde — se eu ganho, você perde. Mas um diálogo é algo mais que uma participação comum, na qual não estamos jogando um contra o outro, mas com o outro.
NUM DIÁLOGO, TODOS VENCEM.
sábado, 27 de novembro de 2010
Raízes do pensamento.
Pensamento ilimitado

Bohm (2005) discute três dimensões do ser humano: o indivíduo isolado, a dimensão coletiva de ser humano e a dimensão cósmica.
No indivíduo isolado seu corpo de certo modo se encontra separado dos demais, embora não seja possível estabelecer as fronteiras, pois ele se funde com o ar, a luz e com os alimentos. Esse indivíduo também se constitui por suas características físicas e a certas peculiaridades mentais, além de possuir uma auto-imagem pela qual busca se auto-identificar. A dimensão coletiva do ser humano engloba um certo número de pessoas, a sociedade e a cultura. Esta categoria possui um potencial poder. A dimensão cósmica constitui a imersão humana no mundo natural, a cosmologia da ciência e da religião. Deste modo, surgem as tentativas de estabelecer conexão por meio da religião e da filosofia, entretanto com o enfraquecimento da religião e com a inacessibilidade da filosofia a dimensão cósmica se fragmentou.
Parte da dimensão cósmica é a atitude do homem em relação à natureza e compreendeu-se que a natureza é finita. Entretanto Bohm (2005) defende a existência de algo “além dos limites, algo não-finito”.
O pensamento literal nos diz que não há nada que seja ilimitado, porém a partir de uma visão participativa torna-se possível sugerir que o ilimitado é a base de tudo. Desta forma, torna-se crucial exercitarmos a totalidade da comunicação e da capacidade de dialogar e participar daquilo que é comunicado.
Bohm, D. Diálogo: comunicação e redes de convivência. São Paulo: Palas Athenas, 2005.
Pensamento participativo e literal

O pensamento participativo diz respeito ao modo que as primeiras culturas humanas percebiam sua participação no mundo, como constituintes de uma parte do todo e considerando que o espírito de todas as coisas era único. Nos últimos cinco mil anos esse pensamento foi modificado para o “pensamento literal”, que possui como objetivo ser um reflexo da realidade e nos dizer as coisas exatamente como elas são. Bohm (2005) defende que “as palavras podem dar conta de um certo grau de realidade, mas não da realidade inteira”, nós é que incutimos demasiado valor às nossas palavras e pensamentos.
Deste modo, o pensamento literal se apoderou da percepção consciente (tornando possível a tecnologia, por exemplo) e simultaneamente o pensamento participativo eclipsou-se, mas permaneceu nas profundezas. O termo “participação” possui dois significados: o mais antigo era “compartilhar” a fonte, o que criava um sentimento de unidade e identidade, na cultura ocidental esse significado foi mantido até a Idade Média. O segundo significado de consiste em “tomar parte em”, ou seja, dar sua contribuição. Nos tempos modernos significa que um indivíduo é aceito e que faz parte da totalidade. Mas para tomar parte em algo, nossa participação deve ser “aceita”.
Bohm, D. Diálogo: comunicação e redes de convivência. São Paulo: Palas Athenas, 2005.
A compreensão do pensamento como “movimento"

Da mesma forma que o processo do corpo é um movimento que se inicia com um impulso e chega a um resultado, o pensamento também é um movimento, visto que também é um processo. Contudo não se percebe o pensamento como um movimento, pois o mesmo é considerado como verdade, “como se sua simples ocorrência pudesse nos dizer como as coisas são” (BOHM, 2005).
Para uma melhor compreensão do pensamento como “movimento” Bohm (2005) o considera como um sistema de reflexos. O autor caracteriza o termo “reflexo” como uma seqüência de acontecimentos que ocorrem de modo automático a partir de um primeiro acontecimento. Deste modo, os pensamentos elementares podem assumir a forma de uma série de reflexos ao suscitar outros pensamentos automaticamente, caracterizando-se como um conjunto muito sutil e potencialmente ilimitado de reflexos.
Outro conceito apresentado é o de “mentalidade” que “inclui as emoções, os estados corporais, as reações físicas e tudo o mais” (BOHM, 2005). Assim, a mentalidade se caracteriza como um processo material, pois ocorre no cérebro, no sistema nervoso e na totalidade do corpo como um sistema único. Neste caso um insight ou percepção da verdade podem influenciar profundamente o processo material, incluindo todos os reflexos, os níveis químicos e tácitos. No entanto um conhecimento apenas intelectual ou inferencial não atinge ou modifica esse processo de modo profundo.
Bohm, D. Diálogo: comunicação e redes de convivência. São Paulo: Palas Athenas, 2005.
O pensamento como movimento

Para que ocorra a “propriocepção do pensamento” Bohm (2005) sugere que se “suspenda” o sentimento. Isso não significa reprimi-lo ou manifestá-lo, mas mantê-lo em um “ponto instável” para que seja possível observar a totalidade do processo. Outra forma de suspender o sentimento, sugerida por Bohm (2005), consiste em fazer com que o sentimento venha à tona “propositalmente” e a partir disso efetuar uma “revisão” das sensações e reações ocasionadas por ele.
Buscando uma significação ampliada para o sentido de propriocepção, Bohm (2005) explica a coerência a incoerência e o processo tácito do pensamento. A incoerência se refere à limitação do conhecimento. Visto que o conhecimento é uma abstração do todo e consiste no aprendizado de algo até determinado ponto. Quando se reconhece a incoerência se descobre que algo não está certo e pode ser alterado.
Por outro lado, a coerência representa a ordem, a beleza e harmonia. Mas se estivermos motivados a identificar somente a ordem, harmonia e beleza é provável que nos tornemos vítimas de um auto-engano, assim, necessitamos do senso negativo da incoerência, pois este é o caminho para a coerência. Para Bohm (2005) o movimento em direção da coerência é inato, mas o pensamento o tornou confuso. Deste modo qualquer mudança importante necessita ocorrer no processo tácito do próprio pensamento. Esse processo tácito, concreto, é o conhecimento real e pode ser coerente ou não.
O conhecimento tácito não foi sistematizado conscientemente pelo indivíduo e por esta razão o indivíduo não tem consciência da sua existência. Bohm (2005) defende que no nível que o pensamento emerge no processo tácito ele é um movimento, que pode ser autoconsciente e seu movimento pode ser autoperceptivo. Entretanto se não houver a sensação de que o ocorrido se deu no nível do pensamento, os acontecimentos serão tacitamente aceitos como uma percepção direta da realidade.
Bohm, D. Diálogo: comunicação e redes de convivência. São Paulo: Palas Athenas, 2005.

Como já foi dito, diálogo significa através da fala. Sócrates (469-399 a.C.) apresentava o diálogo como uma técnica de perguntas e respostas, à procura da verdade. Ele reunia seus jovens discípulos nas praças públicas, as ágoras, e ia desenvolvendo sua filosofia através de diálogos, cujo ponto fundamental era o auto conhecimento. “Conhece-te a ti mesmo” era a recomendação básica. Sócrates considerava que a sabedoria começava pelo reconhecimento da própria ignorância e a superação do saber baseado em idéias préconcebidas. “Só sei que nada sei” seria o princípio da sabedoria.
Seu objetivo inicial era, então, demolir a presunção do saber. Interrogava seus discípulos sobre aquilo que pensavam saber. Habilmente ia descontruindo as respostas, até que a ignorância fosse reconhecida. É o que se chama de ironia socrática. Libertos do orgulho e da pretensão de tudo saberem, os discípulos podiam começar a construir suas próprias idéias. Sócrates então os ajudava a concebê-las. Isso era chamado de maiêutica, que significa a arte de trazer à luz.
E Nietzsche afirma: "Nós, os sequiosos de razão, queremos examinar nossas vivências do modo rigoroso como se faz uma experiência científica, hora a hora, dia a dia!. Queremos ser nossos experimentos e nossas cobaias."